domingo, 5 de junho de 2011

"Não só de esperança vive o Homem"



Não fosse eu um visionário e da palavra esperança só iria retirar o conforto, mas sei que é lá que encontro a oportunidade, é lá que todos Nós devemos encontrar uma ponta de futuro! Contudo a surreal "gratidão" humana renega a esperança com pompa e circunstância, pois se não houvesse caprichos e vícios exacerbados e a esperança seria maior, fosse qual fosse a esperança em que Nós quiséssemos acreditar. Dando agora valor à citação que "Não só de esperança vive o Homem", apesar dos caprichos e vícios serem facultativos, a esperança será sempre relativa, de tal modo que o futuro só a Deus pertence e pode pertencer, por sermos prevaricadores assíduos que constantemente abdicamos da nossa esperança em troca de coisas supérfluas e banais. Podia tentar compreender os caminhos traçados e os olhares expostos, mas sem esperança não há caminho, sem esperança não olhar que se alongue no horizonte. Porquê? Porque eu sei que não só de esperança vive o Homem e enquanto assim o for o futuro é incerto...

domingo, 9 de agosto de 2009

Pobreza de afecto


Todos nós temos necessidade de um carinho, e com esta pulcritude que esvoaça no ar no verão não dá para ficar imune. É irrisório nascer para mais um dia e querer fazer o mesmo que no passado e às vezes vamos andando sem pensar o que fazer, pois se a vida existe para todos devemos partilha-la no ar que respiramos. Não notamos carência em nós próprios ao fim de assumirmos perante alguém um compromisso, mas nas noites roliças em que nos debruçamos num filme romântico ou num sonho meloso pedimos a Deus um par de braços para nos abraçar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Carta


Meu amor;

Não imaginas o que é viver com a tua ausência e a todos os passos que dou e todos os gestos que faço, revejo-te. O luar deixou de ser o mesmo desde a noite que te foste, agora parece meio tímido e esconde-se por detrás das nuvens, tenho pena que assim seja pois era desejo meu oferecer-te a lua. Na agonia do meu choro deplorável ainda sinto minha face caída em teu ombro, nas horas vazias em que víamos o sol cair e as estrelas surgir num ápice. Nossos corpos já foram um só mas agora a distância é tanta que nem sinto teu odor fulminante que me deixava doseado nas tardes de inverno. Não aguento esta dor desmedida, que em tudo me enfraquece…

Para todo o sempre;

Luís Freitas

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Morte


É difícil sermos pessoas normais. O facto de a nossa sina já estar arbitrariamente atribuída deixa-nos com uma margem de manobra circunscrita, nossos olhos tumultuosos perante a enormidade da vida, nossa mente balbucia-se por ser incapaz de se mover e nossa boca une-se aos pulmões, sopro grande e grita! Peço desculpa pela frieza mas quando morrer quero que dancem como vos der mais jeito e peço desculpa novamente por não vos acompanhar na dança, quero que gozem a vida da maneira mais correcta e verdadeira, que é deixar-se ir. Não há mortes graciosas a não ser que a planeemos bem, mas mesmo assim nunca serão mortes perfeitas pois não estaremos presentes para inspeccionar. No dia da nossa morte descobrimos habilidades que nem sabíamos ter, amigos que nunca vimos e inimigos que atravessam a fronteira para beber um copo em nosso nome. Em uma frase cinge-se a morte: Podemos nos esconder da morte em todos os buracos mas é preciso ter cuidado que podemos já ficar num desses.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pequenos Engenheiros


Em crianças inventamos o mundo, construímos sonhos, sentenciamos a birra e o choro, ambicionamos o céu nem que para isso tenhamos de nos pendurar nas cadeiras. Ao acordarmos em criança, acordamos para mais um dia de trabalho, em que o Pedro traz o avião, o Ricardo os carros, o Rui a pista e juntos construímos uma empresa toda ela baseada em almas cristalinas, gente honesta e uma equipa unida. Não conhecemos o mal mesmo que ele nos atravesse no caminho pois o único mal que conhecemos é das batalhas de corsários e quando galhofamos aos Policias em que um tem de ser o larápio. Um momento de sossego para as crianças é sinónimo de uma coisa, vem aí um novo desafio, um novo trabalho em equipa. Quantas vezes quisemos ser nós a desmistificar os mistérios da árvore e de casa de brincar? Mas infelizmente não fomos tão audazes como os marinheiros português. Talvez vivêssemos melhor na aventura do que na monotonia que agora enfrentamos, a criança cá dentro não morre, nunca pode morrer senão morremos junto.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Simplesmente Amamos


Amamos da maneira mais injusta, sofrendo. São os beijos, os abraços, as palavras que imortalizam os momentos em que nos dedicamos ao máximo, sem norte nem sul, afortunados da vida. Quando amamos alguém, se é que amamos realmente, são as rosas que exprimem em número o nosso amor, os beijos que adoçam o amargo do coração e a fricção dos corpos incendeia o leito em que se constrói o amor, a vida ergue-se e esbate-se e nós vamos vivendo. Aprofunda-se o conhecimento na imensidão dos olhos, naufraga-se no azul, cresce-se no verde, constrói-se no castanho, morre-se no preto… Peca-se, mas não deixamos de rezar por mais, pois só assim satisfazemos todo o desejo imenso que martiriza todo o pensamento inerte da razão do porquê amamos. Justificamos os embaraços com muitos mais embaraços e de tantos apertos perdemo-nos entre eles, será amor ninguém duvida mas ninguém se expõe ao mundo e se martiriza pela fantasia do perfeccionismo de amar. Alimentamos um final feliz por culpa dos filmes, alimentamos um lugar no céu por culpa de quem amamos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Contornos invisíveis


É por vezes na solidão do vazio que encontramos algo que nos satisfaz, algo superficial que nos leva ao êxtase total. A prevaricação do momento é o que nos estimula fazendo a ponte entre o correcto e o correctivo, não somos seres férreos nem supremamente católicos em que o mal impingido não nos possa fazer tão bem. Será um contágio fatal a submissão de um ser a outro oposto, por isso não me submeto a menos que isso me traga prerrogativas constantes. É de certo pecado mas mal não fará, meu ser subestimado fraqueja de tanto olhar mas há quem olhe e não fraqueje por ser cego demais. Não se encontra a perfeição do ser nos atributos incontornáveis que escorraçam dos olhos do restante mas sim no elo das palavras proferidas com a sua cota de doçura.